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domingo, agosto 17, 2008

da verdade nas palavras.



o que é do mar se os rios se recusam?*


*stig dagerman.

terça-feira, maio 06, 2008

para quem gosta de livros, e livrarias.


interessante, no arquivo do blog da Pó dos Livros.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

cem anos e quarenta minutos depois.


y a des cailloux sur toutes les routes, sur toutes les routes y a du chagrin*,


cantava o rádio dela.


[beauvoir, o sangue dos outros].

terça-feira, junho 19, 2007

dez anos de ausências lidas em sussurro.


regressa do túmulo dos mares do sul
enterra os dedos na penumbra que separa o dia
da noite das cidades [...]

al berto,
a revisitar numa casa construída sobre palavras.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

riem-se o corpo e as palavras.




Sondra Pransky: Oh, you always see the glass half empty.


Sid Waterman: No, I always see the glass half full. Of poison!

in scoop, de woody allen.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

when I wrote it down [they] couldn't see what was written.*



dizem que a caçadora de palavras adoeceu. disjuntada, caíu na reticência da morte e tossiu frase nenhuma. começou por tropeçar em vírgulas. já não sabia parar em pontos finais. iniciou uma sucessão infinita de espirros fraseados, pouco perceptíveis, feitos sem parágrafos. emudeceu e, por isso, assassinou o bloco e a caneta. estancou a tinta e rasgou as folhas em pedaços de metades de palavras reformadas.
dizem que a caçadora de palavras nunca conseguiu caçar palavras felizes – é uma área restrita, disse-lhe o administrador, certo dia. ela nunca acreditou e, por isso, arriscou dicionários e enciclopédias, trilhando os caminhos recurvados das promessas e dos sonhos.
dizem que a caçadora de palavras se aventurou demasiado e se perdeu tanto na aventura como na demasia.
*matt elliott

sexta-feira, dezembro 01, 2006

José Luís Peixoto.


não há nenhuma diferença entre aquilo que aconteceu mesmo e aquilo que fui distorcendo com a imaginação, repetidamente, repetidamente, ao longo dos anos. não há nenhuma diferença entre as imagens baças que lembro e as palavras cruas, cruéis, que acredito que lembro, mas que são apenas reflexos construídos pela culpa.
in Cemitério de Pianos.

quarta-feira, novembro 22, 2006

do outro lado da rua,
do lado em que se vive na sobreposição da vida,
do lado em que se vive na observação dos passos,
reparou que ela saía todos os dias de abandono no olhar
e sombra debaixo do braço.

sábado, outubro 14, 2006

[re]volver o baú da memória.


vivir, con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que llora otra vez
*



Volver é um filme feito de regressos. Almodóvar regressa ao princípio dele próprio. O realizador castelhano camufla o espírito rebelde e faz as pazes com a infância, revisitando as raízes e aninhando-se no colo da figura maternal, encostando-se à memória de quem o criou. Pela voz sofrida do tango, passeia-nos por La Mancha, observa o corre-corre aldeão, a vida regrada por hábitos e rotinas populares. Desde os beijos repenicados à ausência do conflito ruidoso, passando pelo pacífico luto e culto negro da morte, ou pelos espiritualismos assertivos.
Em sotaque manchego, somos presos a um pretérito imperfeito, onde assuntos ficam por resolver e estórias são arrastadas para o silêncio. Pela mão do vento sueste, chegam as recordações, que se diluem no presente e apagam as fronteiras temporais. Não fosse o guião escrever-se sobre a ambiguidade fantasmagórica de Irene (Carmen Maura), que se constrói em linhas trémulas entre vida e morte e consolida a ideia de purgatório na terra.
Volver é ilustrado pelas cores garridas de Irene, Raimunda (Penélope Cruz) e Soledad (Lola Dueñas), e Paula (Yohana Cobo), quatro mulheres à beira de um ataque de nervos, três gerações de segredos, luta interior, desespero e coragem desmedida.
Almodóvar não escreve um melodrama de uma Espanha recôndita. Conta-nos, sim, uma outra Espanha, feita de outras protagonistas. Uma região por moldar, em estado bruto. De simplicidade em punho, entrecruza e confunde os risos e as lágrimas, fazendo brotar o humor cáustico sob a forma de comédia triste.
Volver é, de facto, voltar ao elogio da mulher, à ausência masculina. Voltar à essência dos traços femininos, nus e crus, espelhados na tela falada de Pedro Almodóvar.



* excerto de “Volver” de Alberto Iglesias, cantado por Estrella Morente.

segunda-feira, setembro 11, 2006

como um conto primário.

but he's been pretty much yellow
and I've been kind of blue
but all I can see is
red, red, red, red, red now
what am I gonna do?

[fiona apple, red red red].

terça-feira, junho 20, 2006

código d'alforrecas.


o prazer da descoberta [antiga] continua.

quinta-feira, junho 01, 2006

de tanto escrever a palavra, o meu coração parou.



con toda palabra
con toda sonrisa
con toda mirada
con toda caricia


me acerco al agua
bebiendo tu beso
la luz de tu cara
la luz de tu cuerpo
es ruego el quererte
es canto de mudo
mirada de ciego
secreto desnudo


me entrego a tus brazos
con miedo y con calma
y un ruego en la boca
y un ruego en el alma



[lhasa, con toda palabra].
*fotografia: diário de frida khalo.

terça-feira, maio 16, 2006

voodoo girl.


Her skin is white cloth,
and she's all sewn apart
and she has many colored pins
sticking out of her heart.

(...)

But she knows she has a curse on her,
a curse she cannot win.
For if someone gets
too close to her,
the pins stick farther in.


[tim burton, the melancholy death of oyster boy and other stories].